NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Resenha do Livro: Marketing de Moda, de Harriet Posner

Cá estou com mais uma resenha de livro: Marketing de Moda.
A Editora GG Moda tem se destacado por livros de alta qualidade gráfica nas áreas de moda, arte, fotografia e arquitetura. Esta publicação me chamou especial atenção pela qualidade do conteúdo. É um livro muito completo e abrangente, ricamente ilustrado e atualizado com as tendências atuais, como o marketing digital e o branding, assim se torna uma obra de referênca essencial dentro da bibliografia de Moda, apresentando grande repertório e exemplos de casos práticos aplicados em várias empresas ao redor do mundo.


A autoria é de Harriet Posner, formada pela Central Saint Martins College of Art & Design, professora de Marketing em diversas escolas entre elas a London College of Fashion e Amsterdam Fashion Academy. Isso é um traço comum entre os autores apresentados pela editora GG: sempre profissionais muito competentes, especialistas e bastante atualizados com o mercado.

Demorei um pouco pra terminar de ler o livro porque o conteúdo é consistente, em alguns trechos cita diversas marcas e designers falando sobre suas empresas e campanhas publicitárias, então eu ia pra web e buscava sobre essas empresas pra fazer análises. Isso é interessante pois o livro conseguiu gerar essa curiosidade de ir lá dar uma espiada nas marcas e como aplicam o marketing.

A proposta do livro é ser um guia visual das teorias de marketing contemporâneas e gestão de marcas mostrando como os principais conceitos teóricos podem ser aplicados na indústria do varejo, partindo desde o básico que é a clássica pergunta "o que é marketing?" e ensinando como comercializar produtos com facilidade. Além de dar várias dicas sobre como fazer pesquisas de público e de mercado analisando os consumidores e entendendo suas necessidades criando campanhas que sejam interessantes e eficazes.
O legal é que em cada capítulo existem páginas de tabelas de exercícios pra que o empreendedor possa completar com informações e, ao final, várias dicas de leituras complementares.
O livro tem 7 capítulos, sendo:
 
Capítulo 1: Apresenta as Definições de Marketing.
Explica diferentes segmentos do mercado, trás informações sobre mercados emergentes e sobre as feiras de negócios. Está dividido em duas partes, a primeira sobre a estrutura básica da indústria e seus segmentos e a segunda parte explica porque o marketing é um elemento importante na Moda.



Aborda os tópicos e sub tópicos: Setores do Mercado de Moda; Segmentação do Mercado de Moda (explica o que é Alta Costura, Prêt-à-Porter, moca eco/sustentável, moda vintage e trás pirâmides ilustrativas sobre a hierarquia da moda); Mercado Global de Moda (ilustra as principais características da moda feita nas cidades de Londres, Paris, Milão, Nova Iorque, além de informações sobre feiras de negócios e dos mercados globais emergentes como os BRICs, os Emirados Árabes e Angola e Nigéria como potencial de crescimento, abordando inclusive as complicações da sazonalidade para um mundo globalizado onde hemisfério norte e sul consomem as mesmas peças ao mesmo tempo).

No trecho sobre "O que é Marketing", tem tópicos como criação, comunicação, processos empresariais e gerenciais e tipos de financiamento coletivo. O marketing conecta uma empresa a seus consumidores, desejos e necessidades dos clientes devem ser identificados, sendo importante identificar seu consumidor e o que eles precisam; antecipar o futuro é essencial.




Capítulo 2: É sobre Estratégia de Marketing explicando como elas são utilizadas na prática.
Aborda os Tópicos e sub tópicos: O Marketing Mix (garante que o produto seja o correto pra um mercado especifico, com preço correto, no lugar certo e com campanhas orientadas ao publico alvo/nicho); explica que cientes tem exigências mutáveis: antes o produto era o cerne, hoje é o consumidor. Marcas devem ter conteúdo digital atraente; produtos com variedade de categorias e faixa de preço adequado ao mercado - pois consumidores não compram apenas o produto mas também as expectativas e atributos de acordo com seus pontos de vista. Analisa também quais preços os clientes estão dispostos a pagar por determinado produto. 
O capítulo fala também sobre arquitetura de preços; praça (ponto de distribuição), de lojas à trunk shows; promoções (mix promocional); estratégia STP; segmentação e direcionamento; posicionamento de mercado; percepção do consumidor e reposicionamento; diferenciação; estratégias competitivas e assinatura da marca/empresa.



Capítulo 3: Pesquisa e Planejamento, se revelam de extrema importância quanto à coleta de informação e o mercado de tendências.

"Para ser eficiente o marketing precisa ser planejado, administrado de maneira estratégica, estudado de forma contínua e revisto de tempos em tempos - ciclo fundamentam numa indústria altamente competitiva como a moda."

Aborda os Tópicos e sub tópicos: Pesquisa de Marketing; O macroambiente de Marketing (análise PEST); o Microambiente de Marketing; Análise das cinco forças de Porter; Ambiente interno; Pesquisa de Mercado (explicando como fazer as pesquisas, as finalidades e como analisar os resultados); Métodos de Pesquisas de Mercado; Tendências de Mercado (Previsão de Moda e Inteligência de Mercado, Ciclo de Vida das tendências de Moda, Lojas pop-up, Identificação dos Concorrentes, Análise dos Concorrentes, Uso da pesquisa de marketing); Planejamento e estratégia (plano de marketing, Análise SWOT, Oportunidade de Mercado, Processo de Planejamento)




Capítulo 4: é sobre Conhecer o Cliente, analisando suas necessidades e exigências e assim direcionar as campanhas e estratégias além de uma análise sobre a influência psicológica no comportamento de compra do consumidor.

Aborda os Tópicos e sub tópicos:  Definição de Consumidor; Segmentação do Cliente (Gerações consumidoras (boomers, geração x, y, z e alpha), segmentação geográfica e geodemográfica, segmentação psicográfica e comportamental, motivação e comportamento do consumidor, processo de decisão de compras do consumidor; Estudo de seu mercado alvo, tendências de consumo; Criação de um perfil do cliente, Conheça seu principal cliente.



Capítulo 5: Introdução ao Branding fala sobre gestão de marca e a importância da identidade como uma estratégia na construção da relação entra a empresa e o cliente.
Branding é o mecanismo que uma empresa cria e gerencia uma marca e transmite valores e mensagens a seus clientes
Aborda os Tópicos e sub tópicos: Definição da Marca (nome e logotipo; marcas registradas, emblema); Objetivo do Branding  (Identidade e imagem da marca); Desenvolvimento e Gestão da Identidade da Marca (essência da marca, construção da fidelidade à marca, valores da marca, personalidade da marca); Estratégia e Gestão da Marca (licenciamento, reposicionamento e rebranding).



Capítulo 6: Promoção de Moda é dedicado aos principais tipos de atividades promocionais realizados pelo varejo.
A promoção é usada para construir o status e aumentar a percepção da marca, motivar o desejo pelos produtos.
Aborda os Tópicos e sub tópicos: Mix Promocional (Imprensa de moda, Desfiles de Moda, Vitrinas, Visual Merchandising); Publicidade de Moda e Campanhas Digitais (revistas de moda, conteúdo de marketing, endosso das celebridades, componentes de uma campanha publicitária); Promoção e Vendas (Promoções, Redução de Preços, Ofertas Especiais, Edições Limitadas, Colaborações, Brindes, Cupons e Vouchers, Concursos e Sorteios, Planejamento das Promoções, Marketing direto); Relações Públicas e Publicidade de Moda; Avaliação da eficácia de uma campanha.



Capítulo 7: Carreiras no Marketing trás informações sobre os tipos de funções pra quem quer trabalhar com Moda, Marketing, RP, Gestão e quais as competências necessárias pra cada área.
Aborda os Tópicos e sub tópicos: Qualificação Profissional; Opções de Carreira (designer de moda, estilista, especialista em tendências, gestão de varejo de moda, comprador de varejo; provas e aprovação das roupas merchandiser; visual merchandiser; marketing e promoção de moda; gestão de marca e de produto; promoção e RP); Colocações Profissionais e Estágios.


O que entendemos é que Marketing nem sempre se ajusta às formulas convencionais, é necessário adaptar as ideias de acordo com cada novo desafio do mercado, sempre levantando questionamentos.
Fica aqui mais uma indicação de livro pra sua biblioteca de moda!

 Onde Comprar?
 Clique [aqui] (Site GG Brasil)
Clique [aqui] (Site Amazon) 
Clique [aqui] (Site Livraria da Travessa)
Clique [aqui] (Site Livraria da Folha)


terça-feira, 14 de junho de 2016

A Moda Feminina de 1863 a 1903



http://picnicvitoriano.blogspot.com.br/2013/10/a-moda-feminina-de-1863-1903.html



Década de 1860
A década de 1860 viu a decadência da crinolina na moda feminina e a silhueta se tornado menor. Em 1863, o formato da saia era reto na frente e projetado para trás numa forma elíptica, mangas  amplas e o pescoço enfeitado com golas altas em renda ou outro tecido delicado. Essa era a roupa do dia. A roupa da noite tinha golas mais baixas e mangas curtas usadas com luvas curtas de renda ou luvas de tecido sem dedos e as saias possuíam maiores crinolinas que as saias de uso diurno. Era comum um tecido de mesma estampa ser usado para dois vestidos, um para o dia, outro para a noite. Pequenos chapéus e flores enfeitavam os cabelos.

Trajes de 1864, crinolina de forma elíptica


Entre 1864 e 1867 a forma da crinolina começou a mudar. As mulheres tanto usavam a crinolina elíptica quanto a crinolette, uma peça que tinha frente e os lados pequenos e volume na parte de trás, mas com amplitude bem menor que a crinolina.




Foi nessa época surgiram também um tipo de calças folgadas ao estilo turco, chamadas de “bloomers” inventado pela ativista Amélia Bloomer Jenks, no entanto, a peça foi ridicularizada e acabou sendo adaptada para as meninas e para educação física feminina.


Lá por 1867 uma nova silhueta surge, apoiada desta vez pelo Bustle. O bustle dava volume nas saias na parte central de trás, o que fez com que os tecidos em excesso e os enfeites fossem transferidas para aquela região da saia. Em 1870, a moda eram vestidos em cores vibrantes, usando tecidos diferentes nas saias, sendo um liso e outro estampado. O chapéu ao estilo boneca (bonnet) dava lugar a chapéus pequenos, caídos sobre a testa ou penteados de cabelos presos. Um  tipo de jaqueta que formava uma sobre-saia foi muito usada.




Entre as décadas de 1870 e 1880, o bustle teve as mais diferentes formas. 
Durante um curto período entre 1878 e 1882, nenhum tipo de bustle foi usado e as costas dos vestidos eram mais retas, foi a era da "Silhueta Natural". A silhueta ainda cobria extremamente o corpo, mas agora, sem o bustle, as saias caíam em drapeados traseiros e longas caudas (mesmo de dia) e eram justas e estreitas na frente. Mangas longas (um pouco larguinhas) para o dia e decotes e braços de fora (com luvas) para a noite. Cabelos presos em coque com chapéu de dia e presos com cacheados enfeitados com flores à noite. Sempre caíam cachos de cabelos nas costas como que imitando a cauda da saia.



Em 1880, as mangas eram justas com um leve bufante nos ombros, a parte de cima do corpo podia ser enfeitada com babados cobrindo o ombro. A saia ficou com forma de trombeta, ainda com muito volume na parte de trás. O bustle reaparece em 1885 desta vez formando uma linha quase reta na parte de trás do quadril. Cores vibrantes permaneces e a mistura de dois tecidos é bem comum. A assimetria dos babados e drapeados também é característica. Chapéus pequenos em cabelos presos em coque.



 



Intelectuais e boêmios da época, incluindo Oscar Wilde abominavam essa moda. Algumas mulheres rebeldes, se recusavam a usar essas roupas e usavam trajes que seguiam a linha da moda, mas eram vestidos com leves referências medievais, mais soltos e sem espartilho rígido, eram os chamados  "vestidos artísticos". Repare nos vestidos artísticos abaixo como a cintura é menos rígida.




Os vestidos artísticos originaram os chamados "vestidos de chá", fluidos, usados ​​em casa, com a família ou para receber amigos próximos.




A moda dos bustles imensos acabou em 1889. 
Entre 1890 e 1900, as saias passaram a ter formato de sino caindo lisa pelos quadris, havia uma paixão por renda e muitas delas caiam pelos decotes; de dia as blusas tinham gola alta e  babados. Ainda nessa década, o espartilho alongou e fazia com que o corpo da mulher formasse uma silhueta em forma de S. Usavam luvas compridas à noite e leques imensos, as jóias eram extremamente coloridas. Havia exagero e ostentação em penas, pérolas, plissados, bordados, lantejoulas, rufos e outros ornamentos. Chapéus e flores adornavam as cabeças, usados com coques.  



A  década de 1890, foi uma década de mudança de valores, devido aos trajes esportivos estarem em voga, havia uma sensação de liberdade ainda que as roupas cotidianas fossem extravagantes. Abaixo, alguns trajes de 1900 a 1903.



domingo, 23 de agosto de 2015

Resenha do livro: Sociologia das Tendências

O blog tem a Editora GG Moda como parceira literária, dentre os títulos que já apresentei aqui temos o História da Indumentária e da Moda que vira e mexe uso como base pra artigos, o Dicionário Ilustrado da Moda, o Quando a Moda é Genial e ainda tenho alguns outros livros a apresentar. Hoje eu vou falar sobre o Sociologia das Tendências do autor Guillaume Erner que é especialista em sociologia do consumo, da moda e das tendências.

É impossível falar de história da Moda sem falar de suas tendências. Na verdade, a profissão de Cool/Trend Hunter é uma das que mais tem se destacado na atualidade. E o que esse livro tenta é explicar as teorias de como as tendências surgem e porque algumas pegam e outras não. Acaba que envolve uma breve análise de épocas como o século XIX onde o amor pela novidade impulsionou a revolução industrial, a sede das pessoas por ineditismo gerava as tendências.  Na década de 1960 com o pret-a-porter, o comércio e não mais os criadores passaram a ditar moda e na década de 1970 a moda foi perdendo seu significado ideológico e se tornando um produto, uma indústria.


"A moda é o que sai de moda" - Coco Chanel


Algumas das questões abordadas no livro são: como indivíduos diferentes uns dos outros e sem comum acordo se descobrem nas mesmas vontades de consumo? Como o individualismo resulta numa obediência às trends?
Esses fenômenos justificam a existência dos estudos de sociologia das tendências que se dedicam a compreender as condições de produção destas modas que tem mecanismos de imitação e difusão dos gostos. 
Termos como febre, hype e mania são exemplificados  assim como a diferença entre tendências funcionais e não funcionais.
A surgimento das tendências através da sociedade de consumo, evoluções tecnológicas e econômicas incita consumidores a renovar seus bens, num ciclo cada vez mais veloz e infindo de busca por novidades.


Os objetos são programados pra virar tendência? Como se propagam os gostos dentro da sociedade?
 
Para responder a estas perguntas, a opinião de diversos sociólogos, antropólogos e estudiosos da Moda são abordadas, desde Michel Maffesoli que dizia que a sociedade é formada por diferentes tribos que se distinguem umas das outras por seus modos de consumo; passando por Roland Barthes e seu famoso texto "As Mitologias"; Jean Baudrillard ("o capitalismo precisa que os individuos sejam consumidores insaciáveis"); Alfred Kroeber e a "nostalgia de uma época feliz"; Robert K. Merton e sua famosa profecia autorrealizável; Max Weber com a teoria da "rotinização do carisma"; Thorstein Veblen e o consumo ostentatório; René Girard e o "nossos desejos são ditados pelos outros"; Pierre Bordieu e a imitação dos gostos das classes dominante; Edmond Goblot (tendencias como objeto de dominação) e o profético Georg Simmel.

Após a abordagem dos teóricos, percebemos o quanto as tendências são contraditórias porque ao mesmo tempo que pregam diferenciação pela novidade, pregam o pertencimento (imitação), assim, a democratização da moda, deixa os indivíduos muito parecidos esteticamente entre si.

O livro finaliza contando sobre se é possível e como, antecipar a próxima trend e a influência dos blogs e cadernos de tendência - que inclusive tem semiólogos, sociólogos e historiadores na equipe de pesquisa.
Outra informação interessante contida, é a participação das lojas de departamento na divulgação das tendências e qual método elas usam pra não apostar na trend errada, identificando os desejos da maioria.

O livro pode ser comprado no próprio site da GG Moda, basta acessar: Sociologia das Tendências de Guillaume Erner.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Era Barroca: A mulher e a Moda Feminina

Na Era Barroca, embora as mulheres se tornassem mais liberais, ainda não podiam participar ativamente da vida política e comercial, mas foram encorajadas a expressar livremente suas ideias com a introdução no século XVII, do "salão", que era uma reunião de um grupo de pessoas com ideias semelhantes num ambiente doméstico.
Escritores, jornalistas e outras pessoas fofocavam, trocavam ideias e promoviam suas carreiras. Estes espaços eram criados, em geral, por mulheres ricas como Lady Caroline Holland e as Madames de Stael, de Chevreuse e de Sévigné. 

Retrato de Madame Sévigné: seu vestido simples reflete o novo estilo barroco: 
mais natural, sóbrio e elegante que as extravagâncias renascentistas. 

As opiniões das mulheres começaram a ter mais importância, filósofos como René Descartes e Poullain de la Barre introduziram novas teorias sobre gênero. Descartes acreditava que o corpo e a alma eram separadas, já de la Barre acreditava que a alma não tinha gênero, assim, se as mulheres recebessem a mesma educação que os homens,os "vicios femininos" seriam reduzidos. Esses debates em salões e na corte não chegavam a todas as camadas da sociedade. Se as mulheres trabalhassem, elas ganhavam menos que os homens, casais lésbicos viviam como homem e mulher onde uma delas se vestia de homem. Casamento e criação dos filhos eram a principal função da mulher barroca. As mulheres ricas já tinham acesso à cirurgiões na hora do parto; a melhor alimentação garantia o desenvolvimento dos filhos e já se fazia controle de natalidade.

O aumento da classe media acelerou a moda. A partir de 1650 a moda francesa dominou a europa substituindo a influência espanhola, os vestuário começou a ser feito mais como um terno ou um conjunto, chamados de en suite: o corpete, a anágua e o vestido eram do mesmo tecido e usados juntos. A forma da França espalhar sua moda foi através de manequins em tamanho humano que eram apresentados aos monarcas de vários países. O vestuário feminino e masculino também passam a se diferenciar de forma mais marcada assim como houve a volta da sazonalidade: tecidos leves no verão e os pesados  no inverno.

Entre 1672 e 1674 o formato e ornamentação das mangas mudou pelo menos sete vezes. Assim como na arte, a moda barroca era fluida com silheuta mais natural e sóbria com joias simples. O conforto passou a ser considerado e começava a refletir características individuais, a opinião do cliente importava na confecção do vestuário.

O decote profundo era chamado de décolletage, era aberto e amplo e exibia um busto elevado que podia ser coberto com uma gola de renda. Essa liberdade maior no corpo refletia também uma descoberta feita em 1628 por Willian Harvey: da circulação sanguínea, assim, haviam debates sobre o uso do espartilho muito justo visando descobrir se ele era o causador de dores e sensações desagradáveis nas mulheres. Acaba que são abandonados todos os fixadores de madeira que eram usados dentro das roupas femininas. E o espartilho também se torna mais curto e menos engomado. Os quadris continuam acolchoados e com uso de saias como anáguas de volume. 


Casacos de seda curtos e acinturados e mangas no antebraço com rendas no punho.

 

A transição visual entre o corpete e a saia da mulher era bem menos dramática que na era renascentista.

Em 1670 introduziu-se o robe de chambre, um substituto casual do vestido formal também conhecido como mantua. Tinham mangas e punhos na altura dos cotovelos e ficou pelo menos um século na moda. Depois vem o vestido sacque ou robe à volante aberto na frente e levemente cilhado na cintura. Em versaillhes as mulheres suavam três saias, sendo que a última tinha uma cauda longa que era carrega da por um pajem.

Havia grande demanda por pérolas que eram usadas em todo lugar: cabelos, mangas, roupas, e em brincos simples em formato de gota.
 
 
 

Na época acreditava-se que a água era nociva à pele, por isso elas esfregavam suas peles em toalhas para diminuir os odores e trocavam a roupa de baixo, branca, com frequência. O perfume era o substituto do banho, disfarçava odores e era carregado em caixinhas presas à cintos ou correntes no pescoço ou em sachês em tafetá com pós perfumado. Inclusive os ambientes eram aromatizados. Tudo era perfumando! Dos dentes limpos com pastilhas aromáticas à lenços e cachorros de estimação.

Luvas também eram perfumadas

Lábios vermelhos, sobrancelhas escuras e delineadas e olhos claros eram o ideal de beleza. Nos cabelos, o ideal eram pretos ou castanhos com cachos até os ombros ou nas laterais do rosto. Os calçados femininos e masculinos eram semelhantes, sendo pras mulheres mules e tamancos em seda ou cetim.
O vestuário feminino barroco variava de cada país, por exemplo na Inglaterra manteve traços renascentistas por um bom tempo e na Holanda era mais austero com cores escuras e golas fechadas em rendas.



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