terça-feira, 28 de maio de 2013

A Moda e o Tempo: Mulheres Vitorianas

 A Moda e o Tempo: Mulheres Vitorianas

Veja as outras partes desta sequência:
A Moda e o Tempo Parte 1: A Revolução Romântica na Moda
A Moda e o Tempo Parte 2: Os Primeiros Vitorianos
A Moda e o Tempo Parte 3: O Homem Vitoriano e sua Barba
A Moda e o Tempo Parte 4: Mulheres Vitorianas


A mulher ideal vitoriana continuou a envelhecer durante a metade da década de 1800. Agora não era mais suficiente ser inocente, terna e decorativa; a mulher realmente admirável era um exemplo das virtudes da dona de casa habilidosa na administração doméstica. Embora permanecendo delicada, terna e discreta, supostamente também deveria ser talentosa, prática, caridosa, religiosa e acima de tudo, extremamente maternal, capaz de instruir e orientar os vários filhos sobreviventes. Esta foi uma época de famílias enormes, resultado do baixo índice de mortalidade infantil, foi também época da migração da população do campo para a cidade e subúrbios. Cada vez menos homens trabalhavam em casa ou nas vizinhanças e o patriarca vitoriano teve de delegar um pouco de sua autoridade.

A beleza vitoriana ideal na mulher da foto e um retrato de seis irmãs, ilustrando o baixo índice de mortalidade infantil.


 
  
A mulher ideal da metade do século, o "anjo da casa", está bem representada na obra "Mulherzinhas" de 1868 de Louisa May Alcott. Novamente, a moda se alterou para se ajustar ao novo ideal, as curvas se acentuam, o tecido se tornou mais pesado, as cores mais fortes; as abas do chapeu com pala (bonnet) se afastaram de seu rosto, como se permitindo a mulher madura enxergar mais o mundo, metafórica e fisicamente. A beleza nas estampas da moda e ilustrações populares da época estão agora ocupando mais espaço. Esta foi a época das crinolinas, e mais tarde, a da anquinha (bustle), e acrescente importância das mulheres na esfera doméstica e social foi assinalada por sua corpulência. A moda demasiado grande também permitiu que exibissem inteiramente a riqueza de seus pais ou maridos.

Os meados do século XIX viram a existência da crinolina e do bustle. Ambos trajes elaborados que perminitiam à mulher exibir a riqueza de seus pais ou maridos. 

 


Nas décadas finais do seculo XIX, a mulher ideal continuou a se tornar maior e mais velha. Seu tamanho era um sinal de ser cada vez mais visível publicamente; em número cada vez maior, a mulher passou a frequentar as escolas, trabalhar pra se sustentar e fazendo campanha pela igualdade legal e política. Porém mesmo quando ficava em casa, como uma peça decorativa, a mulher do final da Era Vitoriana e início da Era Eduardiana era uma criatura fisicamente impressionante.
Altura e peso acima da média cessaram de ser empecilho e se tornaram um trunfo. Autores elogiavam as proporções das heroínas, descrevendo-as como régias e majestosas. Para aquelas não dotadas pela natureza, como a heroína criança da obra "Old Mortality" de Katherine Anne Porter, não havia esperança: "...uma beleza tem de ser alta; qualquer que seja a cor de seus olhos, o cabelo deve ser escuro, quanto mais negro melhor; a pele deve ser pálida e macia...Ela nunca seria alta; e isso, evidentemente, significava que nunca seria bela".

Podemos ver o tipo ideal em fotografias de belezas famosas como Maud Gonne, Lily Langtry e Jennie Churchill, assim como em estampas de moda (Fashion Plates) da época. Ela era de compleição opulenta, com a figura de uma próspera mulher de meia idade: redonda, braços gordos e ombros largos, quadris e traseiros fartos, e um busto grande, mas pendente, de matrona. Uma cintura pequena, criada por um espartilho rígido que destacava o volume acima e abaixo. Sua postura era ereta, ombros quadrados; queixo proeminente, perfil grego, seus traços largos e bem definidos, sua expressão graciosamente dominadora. A criança tímida e feérica do começo do século XIX, tornou-se a beleza segura de si, pintada por Sargent e desenhada por Charles Dana Gibson.

No fim do século XIX a mulher se tornou maior em termos de vestimenta e de corpo - contrastando com o ideal romântico e vitoriano inicial da magreza e pequenez. O que poderia simbolizar ela estar mais visível publicamente. Mulheres opulentas com cintura pequena destacando os volumes acima e abaixo eram a beleza ideal como Lily Langtry e Camille Clifford, musa de Charles Dana Gibson.



A moda comtemporânea exibiu essa criatura maravilhosa, favorecendo-a ao máximo e ofereceu à mulher de dimensões medianas a esperança de competir com ela. Havia espartilhos rígidos acolchoados para criar a curva elegante, espartilhos ornados de cascatas de laços engomados para encher o peito, blusas com mangas imensas bufantes para aumentar os ombros, golas altaspara elevar a apoiar o queixo e saias pesadas com caudas. Botas com saltos consideráveis aumentavam a estatura da deusa; e seu penteado, alto, estufado sobre proteções de arame e crina de cavalo, culminando com um imenso chapéu, podia acrescentar mais alguns centimentros. Como mostram fotógrafos contemporâneos, com essa roupa, a beleza madura parecia gloriosa. Entretanto as mulheres mais jovens e esguias, com frequência ficavam com a aparência desajeitada e amontoada de ornamentos; e a pequenina era reduzida a uma trouxa desleixada de roupa cara pra lavar.

O ideal de beleza era a mulher madura, e jovens vitorianas, em trajes da moda, pareciam muito mais velhas e mais sérias do que suas idades reais.

As mulheres magras e baixas não eram consideradas belas. Ser alta, ter cabelos escuros e pele pálida era o ideal de beleza. Botas com salto,  penteado "pra cima"e chapéus elaborados davam a ilusão de mais altura.



Sendo uma moda que valorizava mulheres maduras, as que não eram corpulentas e altas, tiveram ajuda da moda: espartilhos acolchoados, blusas com mangas bufantes pra aumentar os ombros. Sendo assim, as jovens magras pareciam envoltas em um monte de tecido que sobrava pra todo o lado.



O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.

Fonte: livro A Linguagem das Roupas

*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas. 

2 comentários:

  1. Adoro também esse assunto sobre moda. Muito legal seu blog. Parabéns. Um abraço
    Tenho um blog onde falo sobre tudo que envolve a cultura e a moda é algo que acompanha todos os tempos e gerações. Um abraço.
    www.blogdamaricalegari.com.br

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  2. Gostei muito voce esta na Facebook?

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥