terça-feira, 28 de maio de 2013

Anos 50 - Parte 3: Moda Feminina

Na década de 1950, as roupas femininas eram projetadas para lembrar às mulheres que elas eram mulheres. Insinuavam fragilidade contrastante com direitos sociais recém adquiridos. A feminilidade do new look fazia moda ser repleta de anáguas que eram necessárias para dar o caimento ideal à saia rodada. Eventualmente, um tipo de crinolina era desenvolvida. As saias e vestidos tinham a altura na metade da panturrilha e eram coloridas, de estampas abstratas ou flores, listras, manchas, xadrez e listrado.

Além do New Look, outros estilos da década foram: o revival da década de 1920 na silhueta flapper modernizada; releituras da moda Diretório e da Império. Os ternos de alfaiataria (blazer + saia lápis) comuns nos anos 40, e atualizados por Dior como "silhueta H", se mantiveram.



Depois de séculos usando apenas vestidos, em 1951 as mulheres tinham uma linha de saias (godê, plissadas, pregueadas, franzidas) para serem usadas com blusas diversas. Blusas, vestidos e conjuntos de tricô também eram comuns.
  

Em 1952 surge a "bainha sereia". Nesta década houve a aceitação das calças para as mulheres, que era usada principalmente pelas jovens e adolescentes.


Nos anos 50, houve uma fixação neurótica de que as mulheres (trabalhadoras durante as guerras) voltassem para a casa e a cozinha, fizessem os deveres tradicionais de criar os filhos do baby boom e cuidassem dos maridos. Em revistas, programas de tv, livros e outros meios, ser boa e principalmente uma bela “dona-de-casa” era a meta suprema de toda a mulher, o índice mais alto do sucesso feminino. Uma mulher solteira era encarada como "emocionalmente incompetente". Os avanços tecnológicos advindos da guerra, faziam com que a dona de casa tivesse à sua disposição fogões elétricos, aspiradores de pó, geladeiras etc, o que fazia com que sobrasse tempo para gastarem consigo mesmas.
A dona-de-casa com aparência de boneca, deveria usar um avental digno. Havia uma imensa variedade deles, alguns em formato de coração e versões infantis iguais às das mães para ser usado pelas filhas.




As curvas do corpo feminino eram necessárias para atrair um marido e simbolizavam fertilidade, então, a silhueta ampulheta era valorizada.



Os corsets/corseletes retornaram sob o título de “confortáveis" pois a barbatana de baleia foi substituída pelas de aço e os busks substituídos por fechos ou zíperes. Eles não eram tão rígidos como em épocas anteriores, mas eram bem estruturados.

 

Após a guerra, começou-se a consumir o que era chamado de lingerie. A underwear era glamourosa. Graças ao nylon camisolas, calcinhas e sutiãs eram leves, bonitos e fáceis de lavar. O sutiã cônico era um acessório que poderia ser usado para dar a curva idealizada ao busto.



Em 1953, anáguas de nylon lentamente substituíram as pesadas anáguas de popeline de algodão, dando variedade de cores e leveza. Abaixo, exemplo de uma anágua de nylon que virava crinolina; bastava colocar dois aros na barra da saia para que ela tomasse uma forma mais armada.



A morte do Rei George VI da Inglaterra e a coroação da rainha Elizabeth II, fez a moda Elizabetana ser revivida: corpete Tudor pontudo e saias de veludo. Jóias, tiaras e coroas eram usadas à noite. A Rainha Elizabeth II e sua irmã Margareth eram ícones de beleza.



Influência da Era Elizabetana e da coroação de Elizabeth II: corpete pontudo nos vestidos e estilo princesa no cinema.


Eventos sociais exigiam que as pessoas se vestissem adequadamente. Os “cocktail dresses” (vestidos que misturam a estética do vestido diurno e do noturno), eram curtos e com decotes que até então não haviam sido usados antes das 18:00hr. Já os vestidos noturnos eram longos, em tecidos finos como seda, brocados, renas, chiffon, tule brilhante, com estampas florais ou abstratas.  


As peles, consideradas símbolo de status, eram desejadíssimas, mas caras. Como opção de preço haviam as imitações como a popular cópia de leopardo. Enfeites de pele adornavam golas, punhos, broches e chapéus. Estolas (em pele ou renda e chiffon) eram o acessório mais popular por ser versátil. 


Lá por 1957, a silhueta começou a mudar, se tornando mais modernista, com formas ovais ou esféricas; os sapatos ganharam ponta fina que não machucava os pés e os saltos foram se caracerizando como de altura média, dando indícios de como seria a década de 60.


Acessórios:
Meias com e sem costura
Havia uma imensa variedade de cintos realçar o contorno da cintura adquirido por espartilhos, saias armadas e sutiã cônico.

As meias calças passaram a ser inteiras, sem costura traseira, mas demoraram a fazer sucesso. A falta de linha de costura na traseira das pernas foi associada com as pernas nuas e pernas nuas na década de 40 e 50 eram  comuns demais. Aos poucos as mulheres foram se acostumando com as meias sem costura.

Com a tecnologia do nylon, as roupas de banho ficaram mais leves, os maiôs eram populares e imitavam a forma de um espartilho, isso porque a década de 1940, os fabricantes de espartilhos estavam sem clientela e perceberam que poderiam colocar a estrutura dos corsets nos maiôs, disfarçando as falhas do corpo feminino. Maiôs de "pernas" ou com saia por cima escondiam formas “irregulares”.
Biquínis eram ousados demais e apenas as estrelas de Hollywood, strippers e adolescentes os usavam. As mulheres também faziam questão de usar toucas de banho estampadas, para que os cabelos ou seus penteados fossem protegidos enquanto nadavam.

 

Devido ao baby boom, surgiram as primeiras linhas de roupas para grávidas e casacos que disfarçavam a gravidez. As roupas para crianças imitavam as dos adolescentes e dos adultos.

Os óculos tinham aros exagerados nos cantos externos como de asas de borboleta (conhecido como estilo “gatinha”).


Luvas eram usadas em todos os lugares; em cor creme ou  branco para as mais favorecidas. Luvas em cores variadas, de algodão, eram mais acessíveis do que as de couro ou nylon. A formalidade das luvas continuou no anos 60 e na década de 1970 passou a ser um acessório apenas funcional (para manter as mãos quentes). As bolsas eram de alças curtas carregadas pela mão ou sobre o braço, com grampos ou anéis para a mulher prender suas luvas.


Guarda chuvas eram extremamente populares. Eram finos e deveriam coincidir com a cor da roupa ou acessórios. Alongados com ponta de aço para apoiar no chão ao andar ou para servir como proteção contra o ataque ao se caminhar à noite.



Os filmes à cores tiveram grande impacto sobre os cosméticos. As atrizes de peles perfeitas fizeram a marca Max Fator inventar uma versão diária da base usada pelas estrelas, que ganhou o nome de "pancake”, feito para encobrir todas as imperfeições. Também havia uma gama de sombras, batons, esmaltes foscos, uma infinidade de produtos para os olhos. A maquiagem da época era como uma máscara no rosto, alguns homens nem sabiam como suas esposas eram sem a maquiagem.



Penteados: as meninas usavam cabelos longos e retos; as adolescentes, rabo de cavalo; mulheres adultas  cabelo curto, ondulado, crespos ou ao estilo poodle de Lucille Ball. À medida que a década avança e os cabelos crescem, os penteados vão ficando maiores, como o penteado “colméia” (beehive), criado por Margaret Vinci Heldt no fim da década e popularizado por Dusty Springfield nos anos 60.


 

Por conta de os penteados elaborados, as mulheres não queriam escondê-los com um chapéu, então estes eram usados com menos freqüência. Balenciaga mostra pela primeira vez o chapéu pillbox, pequeno, que muitas vezes tinha um véu. Mais tarde o chapéu consistia apenas em dobras de tule, organza, redes ou redemoinhos de georgette. Eram usados inclinados para o lado (na frente) ou atrás da cabeça com véu decorado com jóias.



Calçados:
Haviam diversos tipos de sapato, porém, era recomendável que este combinasse com a roupa, de preferência com a mesma cor ou estampa. Modelos pump (os ideais pra manter o equilibrio da silhueta), sapatos com ponta arredondados, peep toes, salto cubano, salto fino/stiletto (que enfatizavam a fragilidade feminina), saltos mais grossos e sapatos baixos: todos eram populares.



O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.
*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas.

27 comentários:

  1. Na minha modesta opinião foi o período mais glam e bonito da moda. Vc esqueceu de falar da jóias desse peíodo. em que Cartier, Choppard, Van Cleef & Arpels e outras faziam as jóias mais lindas do mundo para as Divas européias e americanas, além das cabeças coroadas mundo afora.

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  2. estou com uma duvida: nos anos 50 havia as mulheres desse artigo , mais certinhas, as pin-ups, e os rebeldes sem causa td ao mesmo tempo?

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    1. Paulo, pelo que sei, pin-ups eram exceção, uma minoria absoluta de mulheres que eram modelos, uma profissão extremamente mal vista. Rebeldes haviam, mas igualmente poucos, pois naquela época ser rebelde era ser uma escória pra sociedade então não era algo que podemos dizer que era comum de se ver. O que imperava mesmo era manter uma aparência de bom mocismo, boa dona de casa e bom homem trabalhador ;)

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  3. Adorei... estava procurando sobre cabelos e encontrei muito mais!!!

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  4. Otimo post.
    Será que é possivel me indicar livros desse período para que eu possa fazer um trabalho ?

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    1. Letícia, à direita do blog na lista "assuntos", há uma tag chamada "livros". Lá dou dicas de livros, espero que ajude ;)

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  5. Amo a moda dessa década!! Tenho um projeto da escola sobre a década de 50 que vai precisar de caracterização, e esse post salvou a minha vida! Obrigada!

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  6. amei esse artigo, mostra claramente a evolução da mulher no tempo.
    sou apaixonada pela moda dos anos 50, esses modelos me inspiram e me fazem ver que a moda nem sempre se posiciona em presente, passado e futuro, afinal ela se mistura.
    Lindo super demais. Parabéns.

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  7. Td de bom parabéns a quem o fez...Se existe uma moda que tem que voltar e a dos anos 50 sou apaixonada por estes looks ds anos 50

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  8. legal mais precisava de algo mais resumido


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    1. concordo com você

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    2. Façam o resumo vocês mesmos!! Vocês sabem ler e devem saber interpretar texto, certo? Pensem!

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  9. Glamour desta época.
    Muito Feminino!

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  10. Muito bom, obrigado. Me deu idéias.

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  11. Adoro as roupas desse tempo era muito mas elegante .

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  12. Adoro as roupas desse tempo era muito elegante.

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  13. Adorei o artigo, mostra como a moda evoluiu em nao mt tempo.

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  14. Excelente artigo, acima de uma conhecedora de moda você é uma ótima pesquisadora e tem uma forte veia de escritora. Parabéns!

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  15. Amei o artigo! Além de ser super bem escrito e chamativo, o que me agradou muito sendo admiradora da moda vintage, me ajudou muito com uma história que eu escrevia. Parabéns :)

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  16. Oi Sana, tudo bom?
    Moça,vc sabe dizer os tecidos que eram usados nessa época? Procuro um estruturado, mais pesado e não muito brilhante... poxa, virei a Internet e não achei!

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    1. Oi Letícia!
      Eram usados praticamente os mesmos tecidos de hoje: algodão, linho, lã e seda para o dia;
      tule, chiffon, brocado, cetim, veludo, tafetá para a noite.

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  17. Por que voce não coloca a bibliografia em que pesquisou as informações? seu blog acaba perdendo a credibilidade...

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    1. Não sei porque perderia a credibilidade Jo, qualquer pesquisa que você faça em outros sites perceberá que as minhas informações batem com as deles. Sou confiante da minha credibilidade. A questão é que algumas pessoas tem preguiça de procurar livros de história da moda e criar os próprios textos e querem usar textos prontos da internet colocando inclusive bibliografia como se eles é que tivessem pesquisado. Sei que professores pedem a bibliografia e sei que tem aluno que "finge" que pesquisou apenas pegando coisas da internet. Eu crio meus textos e espero que cada pessoa/aluno crie os seus também pesquisando por si mesmo e adotando as próprias referências.
      Todos os livros que uso pra criar meus posts estão neste link do menu fixo do blog: http://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html
      E caso precise referenciar o post, basta colocar nome do site, link e data que acessou.

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  18. No meu primeiro semestre da faculdade de design de moda usei este blog como referência de informações para pesquisa de trabalhos e também de outros sites,blogs e livros, o que ajudou a enriquecer meu trabalho. Obrigada por sempre estar trazendo novas informações. :)

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  19. Adorei o artigo, amo moda anos 50, é uma pena ter saído de moda principalmente as saias e vestidos.

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  20. adorei tudo, parabéns pelo belo trabalho

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥