segunda-feira, 27 de maio de 2013

A Moda na Era Rococó


Se para nos lembrarmos da era Barroca, a referência é a história de "Os Três Mosqueteiros", para se lembrar da estética Rococó, basta se lembrar da Rainha Antonieta, da França.
E mais uma vez, assim como em qualquer era, a melhor forma de identificar as roupas do período é através de obras de grandes artistas. Uma grande vantagem dentre os períodos anteriores, é que há muita referência visual desse período.

O Rococó (1730 - 1789) foi um estilo artístico surgido na França como desdobramento do Barroco. Se a imagem barroca era feita de luz e sombra influenciado pela religião luterana, os retratos do rococó eram eram ao ar livre ou com muita luz,  a vida era baseada nos prazeres profanos da aristocracia francesa.
Inicialmente usado como decoração de interiores,  passou da arquitetura para todas as formas de arte. O estilo era inspirado nos prazeres da vida mundana,  com temas sobre a nobreza, o luxo da aristocracia e delicadeza nos motivos e nas cores; caracterizado pela abundância de formas curvas e de elementos decorativos como conchas, arabescos, flores, frutas,  conchas, laços e flores.
Tons pastel, sensualidade discreta, festas ao ar livre, elegância, alegria, frivolidade e exuberância são acaracterísticas deste estilo quando conectado com a moda. O requinte era acentuado pelos tecidos que eram normalmente cetim, brocados e rendas, principalmente em tons pastel.

A moda feminina até meados do século XVIII: um dos trajes típicos do rococó era o chamado vestido à francesa que era composto por uma saia, uma sobresaia e um pedaço de tecido triangular que cobria o peito e o estômago e era encaixado numa abertura frontal do vestido, o busto podia ser adornado com fitas. Essas peças iam por cima de um corset e a saia possuía uma armação lateral. Estes vestidos ainda eram enfeitados com babados, amarrrações, fitas e flores artificiais, tudo muito excessivo, porém harmonioso, sofisticado e delicado. Nesse período, a roupa interior tornou-se importante assim como os penteados e os acessórios  como leque e luvas. 
A moda masculina até esse período era ricamente decorada, o que os dava  um aspecto afeminado, cheio de fitas e rendas. Com coletes e calças até o joelho complementadas com meias brancas.



Marquesa Madame de Pompadour:

Lá por 1760, os cabelos femininos que eram penteados baixos, começaram a se elevar a partir de um altíssimo topete saindo da raiz dos cabelos e esticado sobre uma almofada, chegando até quase um metro de altura e cobertos de plumas. Cachos caíam dos lados e a estrutura era mantida por longos grampos. Essa almofada, que provocava dores, foi substituída com o tempo por uma armação de arame onde o cabelo era enrolado com ajuda de mechas falsas.

A partir da década de 1770, começa-se uma anglomania na França, incorporam-se certos costumes ingleses como o de passear pelo campo e desfrutar o ar livre.
O vestido de corte mais representativo desse momento tinha uma saia estendida lateralmente mediante amplas ancas, uma extravagância usada como modo de defesa da nobreza para demonstrar poder exagerando no refinamento na opulência. Afinal, os imensos penteados eram adornados com carroças, cestas de frutas, moinhos, animais, barcos, todo tipo de fantasia escapista incorporada pelo conceito de Jean Jacques Rousseau de “retorno a natureza”.

Maria Antonieta foi uma das precursoras do estilo que iria refletir esse tema "natureza" e que era influenciado pela anglomania. Tentando escapar dos rigores da vida na corte, a jovem rainha começou a vestir-se com um simples vestido de algodão e um grande chapéu de palha. Ela imaginava ser uma pastora e para tanto criou um ambiente perfeito num chalé dentro dos jardins do Palácio de Versailles.Talvez uma forma escapista de fugir da decadência da monarquia e de seu futuro nebuloso.

Retratos da Rainha e cena do filme Maria Antonieta:



As roupas femininas desta segunda metade do século XVIII eram tão exageradas que o volume e peso das roupas dificultavam o andar. As saias eram extremamente volumosas e muito estendidas lateralmente, a parte de cima do corpo era afinada pelo uso dos espartilhos, mas deixavam os sapatos à mostra. Os sapatos femininos eram delicados e enfeitados. Em mais quantidade que no começo do século, eram usados as rendas e os brocados em laços e flores por homens e por mulheres. A maquiagem, também era um diferencial de status pois apenas as mulheres da corte podiam utilizar círculos bem definidos de blush um vermelho intenso nas bochechas. Aqueles penteados imensos eram empoados de branco e intocados por meses, viravam abrigos de piolhos, fazendo com que uma vareta comprida, o "coçador" fossem enfiadas dentro do penteado tentando aliviar a coceira. Os chapéus eram permitidos apenas para as pessoas mais abastadas. Toda essa elegância das pessoas da corte era para um estilo de vida cômodo e muitas horas de ócio.



Cena do filme Orlando com a atriz Tilda Swinton:



A roupa de homem nesse período ficou mais simples; o gibão transformou-se no fraque. As calças eram justas até os joelhos, usavam camisa, colete, casacos largos,  golas baixas, meias e sapatos de salto. Os cabelos ou as perucas eram amarrados atrás em rabo de cavalo.
Lentamente a estética escapista rococó desapareceu e sua delicadeza foi substituída pelos violentos anos da Revolução Francesa.




A Revolução Francesa basicamente foi a revolta do povo contra o governo e moldou a França a forma como conhecemos o país hoje. Entre as heranças dessa revolução está  a  gastronomia, pois os cozinheiros dos palácios tiveram que procurar emprego nos restaurantes populares, fazendo com que a cozinha refinada ganhasse as ruas;  outra herança é que tornou-se um padrão a cor branca , véu e guirlanda de flores como símbolo da inocência virginal das noivas, pois era a forma que as moças da época rococó se casavam.







O texto foi escrito pela autora do blog de acordo com pesquisas em livros de Moda lançados no Brasil e no exterior. Se forem usar o texto na íntegra para trabalhos ou sites, citem o blog como fonte. Leiam livros de Moda para mais informações e detalhes.
*Originalmente postado em meu outro blog, o Moda de Subculturas. 

13 comentários:

  1. É tu do Moda de Subculturas!!!! Eu sabia que esse jeito de escrever me lembrava o MDS! Conheci o MDS faz muuuuuuuuuuuuuuito tempo, muito mesmo! Parabéns pelos blogs. Amo os dois <3

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    1. hahahaha! Sou eu sim Karol =D
      Bem vinda e obrigada! ^^

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  2. Amei seu blog! Difícil não gostar, tem muita coisa interessante!
    Parabéns!

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  3. Que história da arte e da moda em, Adoreiii

    http://so1minuto.blogspot.com.br/

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  4. Você cursa design de moda ou já é formada? Adorei!

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  5. A cada dia que paro para estudar sobre a história da moda fico maravilhado com cada informação incrível que você se propôs a pesquisar e a escrever. Parabéns seu blog está colaborando muito com a minha vida de estudante! <3

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  6. Oi, acho seus textos muito incríveis, mas só fico incomodada pela carência de fontes. É meio problemático um texto com tanta referência histórica e "retirado de livros de Moda" como fonte. Mas parabéns pelo trabalho!

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    1. Oi Victória
      Ali no menu do blog tem um link que chama "Livros". Ali estão listados todos os livros que consulto para montar os posts deste blog.

      Esse blog é um entretenimento pra mim, não tem a intenção de ser um registro acadêmico cheio de regras. Gosto apenas de compartilhar algumas informações.

      Sugiro sempre que procure os livros citados naquele link se tiver dúvida de fonte/conteúdo, são livros conhecidos e encontrados nas livrarias e bibliotecas de Moda e nada melhor do que você consultar as fontes originais. ;)

      Agradeço muito que aprecie os textos, me incentiva a continuar!
      Bjs!

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  7. Puxa vida, durante Século XVIII, na frança antes, da revolução francesa a frase quanto mais melhor era muito valorizada na moda.

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  8. Sana me responde uma pergunta.O que as mulheres da época faziam para acabar com o piolho?

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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥