sexta-feira, 26 de julho de 2013

Robe a L'Anglaise, Parte1: Molde

Este ano comecei a tentar reproduzir moldes históricos baseados em alguns livros que tenho. Já havia feito alguns pads e um rufo curto mas não tinha ainda pegado um traje histórico e decifrado o molde dele.
Minha intenção é, além de fazer moldes históricos, tentar costurar os trajes também, mas não como reproduções e sim como réplicas (vejam a diferença neste post) para participar de eventos revivalistas no Brasil, como os do Picnic Vitoriano SP e o Picnic Vitoriano Curitiba - cujos sites sou colaboradora.

A primeira coisa que fiz foi pensar qual a época mais fácil de se tentar reproduzir um molde histórico. Imediatamente me veio à mente vestidos da Era Medieval (como o kirtle)e a Era Império. Mas eu queria um desafio, queria um molde que me fizesse quebrar a cabeça - mas não tanto! rsrsrs!
Minhas opções se reduziram à 3 épocas que considero que tem os moldes dos vestidos mais "fáceis" e com alguma semelhança entre eles: a Era Barroca, o fim da Era Rococó (inspirado na roupa campal inglesa) e o Early Victorian. Descartei o barroco inicialmente mas deixei a possibilidade aberta. A seguir, descartei o Early Victorian por causa da crinolina - não ia ter como eu fazer uma sem a barbatana de aço (flat). Acabei ficando com o fim da Era Rococó e o modelo escolhido foi um Robe a L'Anglaise. O certo era eu fazer um post explicando o que é um robe a l'anglaise, mas garanto que a falta deste post não vai atrapalhar o entendimento desta postagem.

O que contou pontos à favor de eu fazer o molde do robe a l'anglaise foi o fato de a underwear usada com ele ser fácil e de muitas possibilidades e também que ele é uma peça com a intenção de ser simples, uma peça inspirada na informalidade da moda campal inglesa. Os vestidos ingleses eram de algodão - ao contrário dos cetins e sedas da moda francesa. Então esse robe é inspirado no robe original inglês e não no francês. Como algodão é um tecido muito fácil de achar e barato (eu ia precisar de mais de 4m), o Robe a L'Anglaise foi a peça escolhida para ser meu primeiro molde histórico.

Minha intenção era postar um passo a passo de eu fazendo o molde, mas que disse que eu lembro de fotografar? Eu não lembro de tirar fotos quando estou concentrado numa atividade empolgante. E acho até mesmo que pausar toda hora pra fotografar atrapalharia esta primeira tentativa.

Molde: foi retirado do livro Patterns of Fashion1: Englishwomen's Dresses & Their Construction C. 1660-1860  da Janet Arnold. Como o nome diz, o livro foca em moldes da moda inglesesa.
Idéia: Minha ideia não era fazer exatamente o mesmo vestido ilustrado no livro. Então, da imagem da página do livro ilustrada abaixo, o corpete do meu vestido não tem essa amarração frontal aparente e nem o collar (gola bertha).



Escaneei a página do molde do vestido e imprimi para não ter que ficar pra lá e pra com o livro e principalmente riscando ele. Sim, porque continhas de modelagem e conversão de medidas tiveram que ser feitas e as fiz no próprio scan até mesmo pra no futuro eu consultar caso esqueça de algo.
É complicado falar de medidas fixas quando se fala em moldes históricos, na França, por exemplo, as medidas variavam de acordo com a largura do tecido, que mudava de tempos em tempos. É complicado também, isso eu percebi depois do molde pronto, adaptar o molde à seu corpo! 
Se você usar o molde com as medidas exatas do livro, talvez não se adeque à seu corpo porque a gente sabe que cada época tem um tipo de corpo "padrão". E o meu corpo não tem padrão histórico, meu corpo se encaixa mais em corpos da era vintage, da década de 1920 ou 1960.
Demorei um dia pra riscar a saia e outro dia pra riscar o corpete. Usei um pouco mais de 2m de papel craft na saia. Ou seja, é um molde gigante e que tive que riscar no chão porque na mesa não dava!

O gigantesco molde da saia no chão, assim como o molde do corpete e da manga. Os tracinhos no topo da saia são as pregas e a direção em que devem ser dobradas.



Detalhe: a fita métrica mostra que o molde da saia chega a praticamente 2m de largura. 
E isso é só a metade! Sim! Moldes são feitos na metade, o que significa
que apenas na saia vai originalmente 4m de tecido.

Depois do molde pronto, eu que sou pequena, percebi que ia sobrar tecido e faltar corpo! Então, tomei a decisão de diminuir um pouco a largura da lateral da saia, o que acho que não afetou em nada a "historicidade" da peça, afinal, é uma réplica e não tem a obrigação de ter medidas históricas exatas.
Os trajes de referência, escolha do tecido, o molde transferido pro tecido e a evolução da costura peça fica pra um outro post. ;D

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Chopines e os Sapatos sem salto

A moda sempre se reinventa consciente ou inconscientemente. Dois bons exemplos já postados no blog foi sobre o Peplum e o New Look Dior. Décadas atrás, sapatos sem salto "surgiram" na moda underground fetichista, seja nas criações de Kronier ou  de nosso estilista de calçados Fernando Pires. Com a popularização da estética fetichista no mainstream, surgiram calçados sem salto numa versão menos extrema e mais usável.
Mas esse tipo de calçado não é inédito na moda. Dos séculos XV ao XVII, nos mais diversos lugares - da Itália à Turquia e China - foram usados os chopines.  


O Chopine era um tipo de calçado com plataforma que inicialmente funcionava como um tipo de pedestal ou galocha para proteger os sapatos e os vestidos das mulheres ricas  da lama e da sujeira da rua.

As verdadeiras origens deste calçado são desconhecida, altos tamancos já eram usados por atores de palco grego e por mulheres turcas em balneários; assim como eram uma alternativa menos dolorosa usada pelas mulheres manchús (China) para os efeitos do pé deformado no século X.

chopine em madeira
O andar no chopine era instável e deselegante. As mulheres que os usavam eram geralmente acompanhadas pelo marido, empregadas ou funcionários para poder se equilibrarem. Há quem argumente que no Ocidente, o sapato nasceu na Espanha do século XIV, pois há muitos registros, referências pictóricas e exemplos remanescentes daquele país. Os chopines que sobreviveram ao tempo são feitos de madeira ou de cortiça e os ao estilo espanhol podem ter faixas de metal. A peça era tão popular na Espanha que a maior parte da cortiça produzida no país foi para a produção do sapato. Com o comércio do país com a Itália, os chopines ganharam sua maior fama e fascínio em Veneza, por volta da virada do século XVI. 
A mania de chopines na Itália coincidiu com o auge da atração por trajes extravagantes durante o ano de 1500, quando quase todos os artigos de vestuário eram extremamente exagerados. Os chopines venezianos eram artisticamente esculpidos e os chopines espanhóis eram cônicos e simétricos (mas não menos adornados). Há também peças cobertas com couro, brocados, veludo ou jóias bordadas. Muitas vezes, o tecido do chopine combinava com o vestido ou o sapato, o que anunciava a riqueza da família e a posição social.

Chopines adornados com rendas e jóias:

 


Chopine em altura extravagante
Além de seus usos práticos, a altura da chopine tornou-se uma referência simbólica ao nível cultural e social - quanto maior a chopine maior o status da mulher. Eles eram normalmente de 12 a 22 cm de altura mas alguns modelos sobreviventes tem mais de 50 cm.
Na Itália renascentista, os chopines eram usados também como um meio de alongar a silhueta e  permitir mais espaço para a exibição de uma saia com pano suntuoso. Diz-se que as cortesãs venezianas os usavam para se destacar na multidão e atrair mais olhares.
Para alguns estudiosos, o chopine foi uma ferramenta para manter as mulheres em casa, já que o andar exigia tempo e equilíbrio. Na Itália, clérigos adoravam o uso dos chopines, porque segundo eles, impedia as mulheres de se entregar a prazeres moralmente perigosos, como a dança. Mesmo assim, há quem diga que havia mulheres que de tanta prática, conseguiam dançar graciosamente.
Há relativamente poucos chopines que sobreviveram ao tempo e estes estão em coleções de museus. Um dos motivos de eles terem sido salvos, pode ser exatamente devido à sua estética “estranha”.

Mulheres usando chopines:


Uma ilustração mostrando como o chopine era usado como um meio de alongar a silhueta e  permitir mais espaço para a exibição de uma saia com pano suntuoso. 


Não é de se admirar que os calçados ao estilo chopine tenham ressurgido no século XX na subcultura fetichista, onde temos tanto a figura da mulher doninatrix, alta e superior quanto o fetiche por pés. Outro dado curioso é observar que as plataformas da década de 1940, 1970, do final de 1990 e dos tempos atuais (a partir de 2009) mostrem que a demanda por altura e consequentemente status está presente num momento onde a economia (crise econômica de 2008) não anda tão bem. Alguns destes calçados sem saltos atuais são tão adornados quanto os chopines venezianos.

Subcultura fetichista do século XX: mulher alta, inatingível e dominadora.


Sapatos sem salto atuais: estética amenizada, mesmo assim exige um andar cuidadoso, em lugar plano e liso (calçada esburacada nem pensar!)...

 ... e alguns modelos são tão adornados quanto os chopines originais.

 

Como esta postagem é comparativa com os atuais sapatos sem salto, selecionei apenas imagens de chopines semelhantes. Há outros modelos de chopines, formados normalmente plataformas inteiriças e altas.

Fontes consultadas:
- http://en.wikipedia.org/wiki/Chopine
- http://www.metmuseum.org/toah/hd/chop/hd_chop.htm
- http://www.allaboutshoes.ca/en/heights_of_fashion/east_meets_west/
- http://www.batashoemuseum.ca/podcasts/200903/index.shtml
- http://www.fashionencyclopedia.com/fashion_costume_culture/European-Culture-16th-Centur/Chopines.html
- http://aands.org/raisedheels/Pictorial/extant.php
- http://pourlavictoire.blogspot.com.br/2013/05/the-return-of-chopines.html
- http://americanduchess.blogspot.com.br/2013/06/chopines-platforms-of-past.html

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cabelos e perucas coloridas na primeira metade do século XX

Na postagem anterior falei sobre cabelos em tom pastel no século XVIII. Esta idéia de pesquisar a origem dos cabelos coloridos e/ou em tons pastel começou quando uma amiga me perguntou quando havia começado tudo isto. Minhas pesquisas foram me levando séculos e séculos para trás mas também me levaram ao começo do século XX, antes da explosão do surgimento de subculturas como a punk, a glam rock e a gótica. Vou finalizar esse tema momentaneamente falando sobre a tendência de cabelos e perucas coloridas na primeira metade do século XX. 

O texto a seguir foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em fontes estrangeiras. É um artigo que, até o momento de sua publicação, não havia semelhante em outros sites em português. Se usarem trechos desta postagem como referência em trabalhos ou sites, por favor, citem este link como fonte. 
Entre um breve período de 1913 e 1914, cabeleireiros parisienses criaram uma tendência que as líderes de moda mais ousadas da sociedade da época, chocaram os cronistas. Perucas coloridas apareciam em bailes e salas de música e eram, naturalmente, muito caras. Eram de cabelo chinês natural e as fashionistas usavam uma cor de peruca que combinasse com o seu vestido.
A tendência logo foi de Paris à Londres em um jantar oferecido pela Sra. George Keppel para sua filha Violet, o que foi considerado um ultraje pelos membros mais conservadores da sociedade: "cerca de vinte e cinco mulheres convidadas usavam perucas coloridas principalmente em tons de roxo, azul, verde, verde-azul, e muitas variedades da nova tonalidade chamada de "vasco rose" em tons claros, médios e escuros."

O jornal The Omaha Sunday Bee Magazine com um artigo chamado "The Morals of Pink and Blue Hair" foi publicado dia 08 de março de 1914 sob a introdução: "Lady Duff-Gordon discute suas novas perucas coloridas para mulheres, explicando que o cabelo se tornou simplesmente um ornamento". "Lady Duff-Gordon, a famosa "Lucile" de Londres e principal criadora de moda do mundo, escreve a cada semana um artigo de moda para este jornal, apresentando tudo o que é novo e o melhor em estilos para mulheres bem vestidas."
Trechos do artigo:
"Bastante recentemente eu estive em Paris, mostrando alguns de meus mais belos modelos com cabelos em tons charmosos de rosa, azul, violeta e verde. Desde então minhas idéias foram tomadas por muitas fashionable ladies (a autora ainda diz que ao menos um couturiére imitou a idéia ddela clamando ser o autor da "tendência" mas que ela não se importa porque gosta de ver suas idéias dando frutos).
"Ainda ontem à noite uma senhora inglesa me perguntou se era moral usar cabelos rosa ou azuis. Era um baile maravilhoso onde trezentas senhoras usavam perucas azuis ou malva. Eu mesma usava um peruca azul. Eu respondi à ela que "era moral usar roupas então era igualmente moral usar cabelos da cor que você desejar". Hoje, não há nenhuma desculpa para justificar o sentimento de que é "imoral" fazer qualquer coisa que gostemos com os cabelos. Nosso cabelo é agora, um ornamento. Se alguém, por algum momento decidir que quer ter seus cabelos raspados, isso seria considerado imoral? Decididamente não. Absurdo talvez, mas não imoral. Porque então deve ser considerado imoral colocar mais cabelos ou mudar a cor que já existe? Mas porque mudar a cor dos cabelos pode ser feita por alguma outra razão que não seja se tornar mais atraente? Eu acho que é imoral não se fazer mais bonito do que se pode. As coisas são tão sagradas que devemos sempre melhorá-las. Se a humanidade  não pensasse assim, nunca teria progredido."
Em outro trecho mais  ao fim: "Eu fiz um vestido, era um lindo vestido. A garota o vestiu e ficou encantada, mas eu não. Ele era mais belo fora do que no corpo dela. Qual era o problema? Ele era harmônico, vibrante, vivo, mas nela parecia entediante. De repente, eu soube o que era o problema. O cabelo dela era particularmente preto profundo. Eu o retoquei com pó azul aqui e ali e io! O vestido parecia mais vivo, mais vibrante! E então, eu testei outros vestidos e outras cores de cabelos em minhas modelos, eu as mostrei a Paris e Paris ficou entusiasmada. Não porque era algo novo, mas porque era algo verdadeiro. Os vestidos traziam à tona suas belezas completas em cabelos que eram rosados, outros em azul profundo ou em delicados tons de verde. 
É por isso que o cabelo é colorido. Nossas avós empoavam seus cabelos e ninguém considerava isto imoral e elas vestiam perucas também. Pra quem pensa que o pó é prejudicial até mesmo para a pele, uma peruca é muito melhor e elas estão sendo feitas agora nas mais diferentes cores.
O cabelo é apenas um ornamento. É um parte do traje como as rendas de um vestido. Não há nada de moral ou imoral sobre ele ou o que fazemos com ele. É apenas cabelo e isto é tudo."

O texto na lateral  da grande foto de uma modelo de Lucile à esquerda, diz que o vestido de jantar de charmeuse azul é melhorado, segundo Lady Duff-Gordon, quando a portadora polvilha seus cabelos com pó azul. "Uma peruca azul é usada depois com o mesmo vestido para um efeito ainda melhor."

E que tal este artigo de 1935 mencionando cabelos em tons pastel? A imagem é de baixa qualidade mas a partir da metade é possível ler sobre um novo procedimento da marca L'Oreal que tinge a cor dos cabelos por uma hora e que é lavável. E no paragrafo a seguir eles citam um nome: "Coloral", que não entendi se é o nome do produto da L'Oreal ou se é outro produto. Se alguém entende francês e principalmente letras miúdas e quiser tentar traduzir o texto, segue a imagem:



E ainda há este anúncio da década de 1950. Há quem diga que algumas mulheres da década modificavam as cores de seus cabelos para tons pasteís para combinar com o vestido usado para dançar naquela noite.




O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em fontes estrangeiras. É um artigo que, até o momento de sua publicação, não havia semelhante em outros sites em português. Se forem usar trechos deste texto como referência para trabalhos ou sites, citem este link como fonte. 

Fontes consultadas na web:
http://hprints.com/print.php?id=8331&u=3,10\
http://lettersfromhomefront.blogspot.com.br/2012/04/cheveux-de-couleur.html 
http://bobbypinblog.blogspot.com.br/2012/09

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cabelos em tom pastel no século XVIII

Cabelos tingidos em tons pastel são uma tendência há algumas temporadas. A produção de tintas em cor pastel é uma novidade tecnológica, antes era necessário usar cores vibrantes e amenizá-las manualmente. Mas esta tendência não é nova, tem ao menos 300 anos. Claro que antigamente não era tinta, era um pó!

O texto a seguir foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em fontes estrangeiras. É um artigo que, até o momento de sua publicação, não havia semelhante em outros sites em português. Se usarem trechos desta postagem como referência em trabalhos ou sites, por favor, citem este link como fonte. 

A moda de pulverizar cabelos foi introduzido pelo rei Henrique IV da França (1589-1610) quando decidiu usar um pó escuro em seu cabelo grisalho. Inicialmente também, o pó era usado como um desengordurante, só nó século XVIII a pulverização de cabelos se tornou uma sensação! Se tornou comum o pó ser colorido. Por ser um produto natural ao ser passado nos cabelos, ganhava tons pastel. A tendência se tornou especialmente forte entre as mulheres.

O exemplo mais famoso do pó colorido é "Portrait of a Young Lady" de Yermolai Kamezhenkov de 1790: cabelo rosa!


O pó era feito de vários materiais desde milho e farinha de trigo da pior qualidade à melhor qualidade do amido que eram moídos e peneirados. Eram  perfumados com flor de laranjeira, lavanda ou raiz de lírio. O pó em tom off-white era feito de crina de cavalo.

Tanto os homens quanto mulheres usaram o pó em seus cabelos ou perucas ao longo do século XVII e XVIII.
O pó branco (assim como as perucas brancas) era o mais caro, por isso só era usado somente pelos mais ricos e bem nascidos. Eles gostavam do pó porque estragava menos o cabelo do que a descoloração ou o tingimento.

Entre os homens, além do branco, o off-white e o cinza eram os tons mais usados. 


O pó branco sobre o cabelo escuro produz tons de cinza escuro e não o tom branco visto em filmes e em perucas atuais da época. Já o pó branco aplicado sobre o cabelo claro produz um efeito elevado de loiro.
Com o tempo, cabeleireiros da época desenvolveram pós em várias cores como cinza, laranja, vermelho, marrom, laranja, rosa, azul, cereja e violeta. Ele era aplicado nos cabelos ou perucas com um fole, sendo o rosto da pessoa coberto com uma máscara em forma de cone.

Ter pó nos cabelos se tornou um símbolo de alto escalão. Quem queria ser tratado com respeito nos círculos da sociedade deveria ter pó os seus cabelos! E quanto mais forte a cor, mais respeitável a pessoa pareceria.
Ao contrário do que se imagina, as mulheres no século XVIII não usavam somente perucas, e sim um penteado complementado com cabelos naturais ou artificiais.

Cabelos: cereja, esverdeado, azul pendendo pro violeta e azuis acinzentados.
 

Cinzas escuro, cinza claro e o caríssimo branco!


Enquanto as francesas usavam e abusavam do pó e suas cores desde pelo menos 1750, as inglesas só passaram a usá-lo na década de 1770. Em 1780, praticamente todos os jovens tinham seus cabelos naturais pulverizados!

Maria Antonieta também era adepta: rosado, laranja e cinza.


Esta moda ficou em voga até aproximadamente 1790; nesta época, as inglesas já quase não usavam o pó pois em 1795, o governo britânico passou a cobrar um imposto sobre o pó de cabelo de um guinéu por ano. Este imposto efetivamente causou o fim da tendência tanto da moda das perucas quanto a do pó. Na França, com o início da Revolução Francesa em 1789, o desaparecimento da tendência se tornou o símbolo da decadência da nobreza.

Esta loja no etsy.com vende a fórmula original do pó de 1770 por £ 10,23.

Ter "cabelos coloridos" também foi tendência em outras épocas, antes das subculturas, como mostrarei no próximo post. 


O texto foi escrito pela autora do blog de acordo pesquisas em fontes estrangeiras. É um artigo que, até o momento de sua publicação, não havia semelhante em outros sites em português. Se forem usar trechos deste texto como referência para trabalhos ou sites, citem este link como fonte. 

Consultas da web:
https://en.wikipedia.org/wiki/Wig
http://rottenfields.blogspot.co.uk/
http://demodecouture.com
http://bobbypinblog.blogspot.com.br
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NOTA AOS LEITORES


Olá, tudo bem?
Fico feliz que tenha chegado até aqui! Infelizmente não consigo responder todos os leitores com devida atenção. Me perguntam sobre livros que uso nos textos estão, eles listados neste link: https://modahistorica.blogspot.com.br/p/livros.html

Alguns textos foram escritos entre 2009 e 2013, num período que eu não anotei as fontes, por isso eles não as tem. Portanto, quem me escreve cobrando as fontes destes artigos, espero que compreendam que não posso colocar uma fonte que não lembro ao certo/exatamente qual foi, indicando algo errado. MAS os livros que uso estão no já citado link - pra quem quiser ir atrás deles. Sei que professores e orientadores lhes cobram fontes e nada melhor que ler livros pra adquiri-las.


A quantidade de emails e comentários é grande e soaria repetitivo e cansativo eu responder isso a um por um dos leitores. Gostaria que essa cobrança que às vezes vem como crítica, ficasse mais amena através da compreensão, pois quando comecei o blog não sabia que se tornaria tão grande e que viraria referência no Brasil.
Agradeço a compreensão (e os elogios ao blog).
Sana ♥